domingo, 9 de agosto de 2009

COMO LER E INTERPRETAR A BÍBLIA



COMO ESTUDAR A BÍBLIA
O professor precisa conhecer a Bíblia a fim de poder ensiná-la com eficácia. Nosso objetivo é ajudar o professor a tornar-se um melhor estudante da Bíblia. Para isso, examinaremos métodos, etapas e diretrizes para interpretação.
Há os que acham desnecessário o estudo sistemático das Escrituras. Acreditam que o Espírito Santo irá iluminá-los para que aprendam o que for preciso. O único uso que fazem da Bíblia é o devocional. Esta atitude desvaloriza o papel do Espírito Santo, que, parece incentivar a preguiça no crente, lhe dando tudo o que necessita sem que para isso tenha de fazer esforço algum.
A própria Bíblia nos aconselha a estudá-la a fim de não nos sentirmos confusos, mas aptos a interpretá-la corretamente, empregando-a de modo correto.
Há duas maneiras de fazer-se um estudo bíblico: a dedutiva e a indutiva. O estudo dedutivo é aquele que começa com uma idéia ou doutrina, e então busca na Bíblia o necessário apoio para ela. O estudo indutivo, explicado de um modo simples, firma-se primeiro no estudo, permitindo à Bíblia que fale de modo objetivo., e então as conclusões fluem normalmente. O estudo dedutivo é bom para certos casos. Entretanto, é preferível o indutivo.
Métodos de estudo indutivo:
1.Método biográfico – analisa-se a vida de um personagem da Bíblia, para extrair lições e princípios espirituais dela.
2.Método tópico – é a pesquisa de um assunto, tema, idéia ou conceito, para tirar conclusões sobre determinado assunto.
3.Método comparativo – compara uma passagem bíblica com outra. Um exemplo são as passagens dos quatro Evangelhos que repetem a narração de vários incidentes de formas diferentes, sendo que um dá detalhes que o outro não informa.
4.Método histórico – questiona a narrativa histórica, como: porque, onde, de que forma, e o quê, determinando assim, o contexto e a razão do fato, esclarecendo o fundamento de princípios implícitos no caso.
5.Método sintético – é o estudo da Bíblia como um todo. É chamado “método de estudo da Bíblia como um livro”. Este método é identificado quando alguém expõe um assunto dizendo: ”a Bíblia diz”.
Esses métodos devem sempre ser observados à luz da Bíblia.
Para ter resultado no estudo da Bíblia, é necessário que ocorra os seguintes processos:
1.Observação. A passagem bíblica deve ser lida com cuidado, observando –se os pontos principais, os personagens, os acontecimentos, significado de palavras, etc.
2.Interpretação. É a análise do assunto buscando entender o que quis dizer o autor. Quando fazemos isso, estamos interpretando o texto. Para fazermos uma correta interpretação e chegarmos mais próximo do pensamento do escritor, é necessário fazer as responder às seguintes perguntas: por que o autor está dizendo isto? O que significaram esses termos para os primeiros leitores? Qual teria sido a impressão causada naqueles que a ouviram pela primeira vez? Para se ter as respostas adequadas a essa perguntas é necessário lançar mão de meios auxiliares que daremos posteriormente.
3.Avaliação. Analisa os postulados de uma passagem para determinar qual das verdades é para todos os tempos, portanto, de valor contemporâneo. A avaliação permite-nos determinar as diferenças entre as passagens de aplicação local e as de uso geral, contemporânea e de época específica.
4.Aplicação. É a prática das doutrinas cristãs à vida do estudioso da Bíblia. O estudo bíblico nada significa até que praticamos a verdade bíblica. Estudar a Bíblia para obter mero conhecimento e ostentar-se como sabedor desta ou daquela questão, é arrogância e hipocrisia. A Bíblia só tem pleno valor para o estudioso quando aplica os princípios à sua própria vida.
5.Correlação. Compara a verdade aprendida com outras verdades reveladas na Bíblia. Este é o processo teológico. Para isso é necessário aplicar os princípios da hermenêutica (ciência que estuda a interpretação da Bíblia). A hermenêutica compreende regras, princípios e métodos de estudo com a finalidade de se alcançar o significado exato do texto bíblico.
Por que temos que estudar a hermenêutica?
a)A Bíblia foi escrita em idiomas diferentes do nosso, por isso precisamos de traduzir significados de palavras que, quando foram escritas tiveram sentido específico.
b)Os costumes orientais, direitos civis e usos eram diferentes, por isso tem de ser estudados para se obter conhecimento dos fatos e entender o porque da mensagem.
c)A aplicação de mensagens que foram dirigidas especificamente a um grupo de pessoas, devem ser analisadas com cuidado para não haver incoerência.
d)A Bíblia foi escrita usando dois tipos de linguagem: a figurada e a literal. A linguagem figurada usa meios de expressão que vão além da realidade. São declarações que procuram expressar o significado de algo que o linguajar comum limitaria o entendimento. Por exemplo: “o homem tornou-se como um de nós”, Gn 3.22. Na verdade, o homem não se tornou como Deus, pois havia pecado, mas esta expressão é uma ironia. O professor deve orientar aos alunos para não cometerem o erro de interpretar tudo como está escrito, pois poderá assimilar o que a Bíblia não diz. A linguagem literal é como está escrito. Por exemplo: Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou. Gn 4.8.

As falhas no estudo da Bíblia
Falha em estudar o contexto. Parece haver contradição entre I Coríntios 6.9 e Mateus 21.31. O primeiro texto diz que os injustos não herdarão o reino de Deus. O segundo diz que publicanos e meretrizes entrarão no reino dos céus. Mas o contexto desta última passagem revela que tais pessoas creram no evangelho e se arrependeram, por isso entram no reino dos céus, Mt 21.28-32.
Falha em compreender o que diz o contexto. Alguns afirmam que a Bíblia diz que o dinheiro é a raiz de todos os males. Mas o texto bíblico diz que o problema é o AMOR ao dinheiro, e não o dinheiro em si, I Tm 6.10.
Falha em compreender os costumes da época. Quando Jesus proibiu aos discípulos de cumprimentarem alguém pelo caminho, não era uma falta de cortesia, mas, uma saudação naqueles dias não era um simples “olá!” ou “até logo!”. Requeria uma longa conversa e, muitas vezes, considerável tempo à mesa. Pela urgência da missão dos discípulos, deveriam evitar tal atraso.
Falha em perceber o ponto de vista do escritor bíblico. Parece que Tiago contradiz a fé quando defende as obras. Porém, ele se refere à evidência da fé, não que as obras produzam algo substancial para a salvação, mas que, se cremos, provavelmente agimos mediante a fé. Se a fé for viva, produzirá algo vivo, eficaz e se evidenciará através de fatos, não somente de palavras, o que afirma também João, I Jo 3.18.

Informações auxiliares no estudo da Bíblia
O estudante da Bíblia deve lançar mão de uma variedade de informações auxiliares ao estudo bíblico. Damos algumas sugestões de informações úteis no estudo da Bíblia:
1.Usar várias versões da Bíblia, para fazer comparações e ter maior desempenho na interpretação.
2.Usar dicionários bíblicos que forneçam informações sobre pessoas, lugares e demais dados bíblicos.
3.Usar uma concordância bíblica, a fim de localizar passagens relacionadas.
4.Usar comentários que ajudem a explicar detalhadamente as passagens.
5.Usar um atlas bíblico para melhor compreender a geografia da época.
6.Usar um índice temático para localizar passagens das Escrituras pertencentes a determinado tema.
7.Pode-se também lançar mão de livros de doutrina, de teologia, história da Igreja, livros que falem dos usos e costumes dos tempos bíblicos, história das civilizações, e muitos outros. Toda a ajuda extra só contribuirá para melhorar a qualidade das aulas, tornando-as mais interessantes e mais significativas.
O PROFESSOR
1.O professor e sua preparação
O professor deve se preparar para ensinar. A Bíblia diz que aquele que ensina deve dedicar-se ao ensino, Rm 12.7. O ensino deve ser também um aprendizado diário do professor. Pesquisas, análises, orientações e revelação divina deve ser um hábito da vida de quem ensina. Aquele que pensa que sabe e não procura aprender mais, não sabe o que deve saber, I Co 8.2.
Aquele que é chamado por Deus para ensinar reconhece a sua chamada com humildade, e Deus não o chama sem capacitá-lo. Veja os exemplos:
Abraão, Deus o chamou capacitando-o pela provação do sacrifício pela fé,
Moisés, ao ser chamado tinha sido preparado em toda cultura egípcia, e isso predeterminado pelo próprio Deus, At 7.22.
Josué, instruído por Moisés e acompanhando o povo em todas as experiências que o seguiam, introduziu o povo na terra prometida,
Davi, aprendeu com as experiências da vida, o que deveria praticar para o bem do povo de Deus, I Sm 13.14; At 13.22.
Salomão, para liderar o povo, pediu sabedoria a Deus que lhe deu sem medida, II Cr 1.10-12.
Todos os profetas, sacerdotes, reis, juízes e apóstolos foram capacitados por Deus para cumprirem as respectivas ordens dadas por Ele em sua obra. Nem mesmo Cristo escapara da preparação através do trabalho e exercícios práticos para a capacitação humana, Is 53.3; Hb 5.5-9.
A preparação do professor abrange as seguintes áreas:
a)Secular – é importante que haja o preparo secular, pois no mundo onde há avanço da tecnologia e da ciência, deve-se conhecê-las para agir de forma a encontrar respaldo para o ensino bíblico. E o professor só conseguirá se tiver conhecimento das matérias seculares. Por exemplo: um professor, cujo conhecimento de português, matemática, geografia, história, entre outras matéria importantes, é escasso, terá grandes dificuldades em lecionar quaisquer matérias aos alunos. Não adianta dizer que o Espírito ensina no momento da aula, somos seres criados com capacidades extraordinárias na área do raciocínio, mas essas capacidades têm de ser exercitadas, do contrário são inúteis.
b)Social – o professor deve ter em mente a sociabilidade dos alunos e não somente o fato de ser professor. Não se deve considerar superior aos alunos mas compartilhar com eles as experiências do aprendizado e transmitir confiança de forma agradável.
c)Espiritual – a meditação, oração e devoção pessoal deve fazer parte da preparação do professor. Quem ensina a Bíblia deve entendê-la de forma espiritual e ter comunhão com Deus. Não se deve ensinar as Escrituras como mera teoria, mas reconhecer a necessidade de relacionamento com o Deus da Bíblia. Ninguém melhor para dar orientação legítima da Palavra de Deus do que Ele mesmo.
PLANEJAMENTO DA AULA
A aula, para ser bem desenvolvida com aproveitamento, deve de ser planejada. O professor não deve entrar na sala de aula apenas para lecionar uma matéria, mas ter o planejamento de como fazê-lo, como desenvolver a aula, o que falar, como falar, e até mesmo conhecer os alunos. Para isso, o professor, deve, antecipadamente preparar a matéria e o material de ensino.
A aula é planejada da seguinte forma:
1.Tema
É imprescindível a elaboração do tema da aula. Uma aula bem elaborada tem probabilidades maiores de assimilação dos alunos. Há aulas que, antecipadamente já têm temas preparados, como é o caso de revistas de Escolas Dominicais. Porém, o professor deve estudar o tema com mais profundidade. As revistas comumente usadas nas EBD trás um esboço para o desenvolvimento da lição, porém, não se deve ater apenas ao esboço mas desenvolvê-lo.
2.Objetivo
A aula deve ter um objetivo, um lugar onde se quer chegar. Uma aula sem objetivo é como caminhar sem saber onde se quer chegar.







5 comentários:

  1. Estou feliz pela sua vitória e a Palavra de Deus estar se cumprindo em sua vida...
    Preciso que vc me oriente de como ganhar dinheiro com anúncios no meu blog, OK?
    Aguardo, ansioso, sua resposta.

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  2. nossa so pensa em dinheiro, porque em vez disso vc evangelisa para as pessoas.

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  3. Quer dizer que é necessário ter um professor pra ensinar a ler a bíblia? Significa que não basta a bíblia para entender a Palavra de Deus, é necessário um instrutor? Ou seja, é preciso alguma autoridade "extra-biblica" pra dizer a interpretação correta, certo?
    Exatamente! Portanto que esse instrutor esteja autorizado por Cristo a ensinar seu evangelho da verdade, através de um Magistério fundado por Ele em Pedro e nos apóstolos e mantido até hoje através de Igreja Católica!
    Leiam 2 Pedro 1:20 e entendam que é necessário ter um Magistério infalível, assim como as Sagradas Escrituras, que ensinem a interpretar a bíblia corretamente e não cada pessoa ter uma interpretação pessoal.
    Paz e bem!

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    Respostas
    1. É claro que é necessário um instrutor. A própria Bíblia está repleta dessas recomendações. As pessoas são chamadas para isso, pois se não fosse assim, para quê a ordem de pregar o Evangelho? E o "ide e ensinai, fazendo discípulos, e tantas outras ordens deixadas por Jesus? Só não entendí, Gabriel, qual a definição da sua propoção. Me desculpe se entendí mau. Obrigado pela participação.

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