quinta-feira, 29 de março de 2012

O LIVRE ARBÍTRIO

O livre arbítrio é uma teoria fomentada por muitas pessoas que acreditam na liberdade de escolha do destino por parte de cada ser. Os que acreditam na liberdade de escolha de cada pessoa, dizem que cada um tem o direito de escolher o que fazer da sua vida.
Na verdade o homem tem liberdade de atitudes e ações. Porém, todas são controladas pela soberania divina. Não quero aqui dar a entender que não ter livre arbítrio é a mesma coisa que sofrer o fatalismo.
O fatalismo é uma ideologia difundida pela qual se acredita ser impossível a intervenção humana nas circunstâncias e fatos da vida. Aceita entre os pobres que buscam na idéia de destino uma explicação para seus sofrimentos e desgraça. Outrossim, torna o indivíduo incapaz de reagir mediante a capacidade e recursos pessoais, intelectuais e físicos, levando-o ao comodismo ou tentando viver aproveitando-se do esforço alheio, tirando-lhe o direito à consideração e à estima dos outros membros da comunidade.
A idéia do fatalismo leva as pessoas a acreditarem que suas ações de nada aproveitarão, pois, as circunstâncias, acreditam, são independentes de suas ações. São também levados a crerem que fatalmente viverá na miséria a vida toda, perdem a auto-estima, e, acreditam não haver soluções para seus problemas.
Quero refutar essa ideologia. É natural a mangueira produzir mangas a laranjeira, laranjas, porém, não têm vontade própria, assim como o fogo queima o combustível involuntariamente; mas o homem é racional, dotado de capacidade de sobreviver melhor mediante a inteligência que é peculiar à humanidade. Não me refiro ao livre arbítrio no que diz respeito à vida eterna e espiritual, pois muitos que são ricos, não são fatalistas, entretanto, se não receberem a revelação e convencimento do Espírito Santo não podem ser libertos.  Mas me refiro aos que, mesmo crendo na verdade permanecem com preconceitos e ideologias mundanas.
Se o fatalismo ocorresse incondicionalmente a todos, diríamos a todos os empresários e executivos do mundo inteiro que paralisassem suas atividades e negociações; todas as indústrias cessariam suas produções e mão-de-obra; que todos os operários não saíssem de suas casas para o trabalho; que os agricultores e trabalhadores rurais não plantassem; os transportes de cargas e urbanos, navegações e transportes aéreos paralisassem; todos os profissionais liberais, os poderes legislativo, judiciário e executivo, ministros e secretários não tivessem nenhuma ação, quaisquer que fossem. Aí sim, o mundo passaria a um caos de fatalidades que geraria guerras e destruições em poucos dias, pois não poderíamos esperar que, pelo fatalismo incondicional obtivéssemos os mesmos resultados satisfatórios que ocorrem normalmente todos os dias.
As pessoas que acreditam no fatalismo não tomam atitudes quanto às circunstâncias e problemas da vida, vivem sem esperança, não têm objetivo, vivem como o irracional. No universo, o homem é um ser dotado de capacidade intelectual e criativa semelhantes ao Seu Criador, Deus.
O homem precisa, para o seu bem estar, saber o que quer, porque quer, e o que fazer para conseguir o que quer. Doutra forma o ser-humano torna-se em vão em meio à natureza que Deus criou para o homem cultivá-la e desfrutar dos seus resultados.
Há várias pessoas que defendem a teoria do livre arbítrio. Primeiro queremos definir o que significa este termo: livre arbítrio - de acordo com o dicionário da língua portuguesa significa deliberação que depende só da vontade de quem resolve, poder, que possui a vontade, de se determinar livremente.  Estas expressões nos levam a entender que, quem tem livre arbítrio é alguém que pode decidir o que vai fazer e o que vai acontecer em sua vida. Para dizer que o homem tem essa liberdade, no sentido bíblico e teológico é necessário analisar a questão passo a passo.
Primeiro - O homem foi criado para obedecer à ordem do seu Superior, Deus. Para ser livre é preciso ter poder para decidir a própria vida, e não é isso que ocorreu com o homem. Quando ainda sem a queda, o homem tinha que obedecer a Deus. Quem tem um Senhor não é livre. Ao tentar desobedecer a Deus, o homem se tornou escravo do pecado. Logo, se é escravo não tem o poder de decidir o que quer. Jesus se referindo quanto à vida espiritual do homem, disse que só é capaz de servir a um Senhor; aborrece a um e satisfaz a outro, (Mt 6.24). Incondicionalmente o homem está submetido à servidão, seja a Deus ou a outro senhor, como: o pecado, às riquezas, à carne, ao Diabo e ao mundo. De qualquer forma o homem está sob algum domínio. Logo, sempre fará a vontade de quem está submetido às ordens, se é Deus, estará sob o domínio do Espírito, se é o mundo com suas concupiscências, estará sob o domínio do príncipe deste mundo; então, onde está o livre arbítrio do homem?
É verdade que várias áreas da nossa vida são de responsabilidade da escolha pessoal, porém, quando tratamos da humanidade de um modo geral, não há razão para dizer que o homem perdido tem livre arbítrio. O próprio Jesus afirmou: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado”. Está entendido que o homem sem Jesus não tem livre escolha. Não irei dissertar muito sobre este assunto, pois teria que escrever muito para o leitor entender melhor, porém lhe convido para, em poucas palavras analisar o que a Bíblia diz.  A Bíblia afirma que os que estão sem Cristo, estão mortos espiritualmente. Logo, entendemos que um morto não pode ouvir, ver, tão pouco ter vontade. Quanto ao novo nascimento, Paulo diz que “estávamos mortos em nossos delitos e pecados”, Então, “Cristo nos vivificou” , e podemos receber a fé pela graça de Deus, sendo gerados de novo. Ninguém nasce pela própria vontade, mas, da que o gerou. Leia: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”. O homem só tem liberdade após ser liberto por Cristo, do contrário, está preso por Satanás e pelo pecado. O homem que está preso pelo pecado não tem liberdade de escolha, até que o Espírito o convença do pecado, da justiça, e do juízo, aí então, passa a ter liberdade de poder andar nas boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.  Eu bem sei que há os defensores do livre arbítrio, que tentam afirmar a liberdade do ser humano. Fosse assim, todos seriam salvos, pois querer a vida eterna, todos querem, porém, somente os que são libertos do pecado por Jesus Cristo, têm esse privilégio.
Segundo - Se o homem tivesse livre arbítrio, não seria necessário a Bíblia ordenar tantas vezes a que o homem subjugue seus desejos e paixões carnais ao domínio do Espírito. Nunca, em quaisquer circunstâncias o homem foi livre para decidir a própria vida. Sempre o homem está submetido a alguma autoridade. Desde a família à sua vida de cidadão está submetido a ordens e leis que é obrigado a obedecer social e moralmente. O homem tem liberdade para agir, porém esta liberdade é condicionada a princípios que regem todos em comum. Todos podem fazer o que querem da própria vida, porém, fazer o que quer exige condições que o homem deve obedecer. Tais condições não são simplesmente leis elaboradas pelas autoridades civis, mas leis que regem a vida espiritual, moral e social do homem. Por exemplo, temos as leis naturais, tais como: nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre. Jesus perguntou aos “Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura”? (Mt 6.27).
Terceiro - Quanto à salvação, o homem está morto em seus delitos e pecados até que seja ressuscitado espiritualmente por Deus mediante a vivificação da sua Palavra. Estando morto espiritualmente, o homem não tem como escolher a salvação. Se o homem tinha livre arbítrio antes do pecado, provavelmente perdeu este ao se tornar escravo do pecado através da queda. O que é confundido com livre arbítrio é a liberdade de pensar o que quiser com o poder de executar o que se quer. Planejar e decidir o que fazer é muito fácil, mas o efetuar vem de Deus. Se o leitor não compreendeu ainda isso, medite nos textos bíblicos a seguir: "Eia agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos. No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. Mas agora vos jactais das vossas presunções; toda jactância tal como esta é maligna". Tg 4.13-16; também  "O coração do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os passos." Pv 16.9.  E outra coisa é o crente presumir que um pensamento ou plano é de sua vontade, mas pode ser do próprio Deus. "porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." Fl 2.13.
Deus prova que, nem tudo o que queremos fazer conseguimos. Todos os homens, até mesmo Jesus não escaparam de estarem submissos à vontade de Deus,(Hb 5.5-8). Segundo o que Jesus falou, o homem não tem condições de decidir quanto às mínimas coisas da vida, quanto mais as necessárias, (Lc 12.25,26). Quanto às coisas espirituais, (salvação por exemplo), qualquer pessoa quer ir para o céu, mas será que vai só porque quer? Se for salvo aquele que faz a vontade de Deus, logo, onde está o livre arbítrio do homem? Mt 20.20-23; Hb 10.36; Rm 12.2; I Jo 2.17.
 
Por que o homem não tem livre arbítrio?
1.O homem não é auto-suficiente.
2.O homem não tem domínio sobre a sua própria vida, Lc 12.25,26.
3.Está submisso à lei e à autoridade superior, principalmente a Deus,
4.Não nasce nem morre pela própria vontade, sua existência não depende de si mesmo,
5.Não consegue dominar a si mesmo quanto à sua natureza pecaminosa.
6.Não faz o que quer, nem deixa de fazer o que não quer, Rm 7.15.
7.O homem que está sem Deus é escravo do pecado,
8.O homem que está em Cristo é servo de Cristo,
9.Para ser salvo o homem tem que fazer a vontade de Deus, Mc 3.35; I Jo 2.17.
10.Para ir para o inferno, ele faz a vontade do Diabo, Jo 8.44.

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